Não só escutei o que aconteceu, mas a foto mostrou .




Algo se rompeu dentro de mim naquele instante. Não com o ruído das coisas que se estilhaçam, mas com o silêncio das coisas que quebram por dentro e seguem existindo como se nada tivesse acontecido.


Anos de terapia, de tentativas de compreender, de recolher fragmentos e dar novos significados ao que ficou para trás. Ainda assim, bastou um único gatilho para que antigas dores encontrassem novamente o caminho de volta. Há feridas que cicatrizam, mas nunca deixam de ser sensíveis ao toque. Permanecem ali, quietas sob a pele, à espera de algo que as desperte.


Às vezes, penso que a vida se parece com uma professora severa, insistindo nas mesmas lições até que estejamos prontos para aprendê-las. Outras vezes, parece uma mãe contraditória, que corrige com uma mão e acolhe com a outra, que castiga e consola no mesmo gesto.


E nós seguimos, entre quedas e recomeços, tentando decifrar o sentido de tudo isso. Tentando entender se a dor vem para nos ensinar alguma coisa ou se é apenas uma lembrança persistente de que certas partes de nós jamais voltarão a ser exatamente como eram antes.

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