Então esse é o tal do luto?

 


Essa ausência de força nas pernas, nos braços, na mente.

Como se o coração tivesse pedido férias — e se recusasse a pulsar por qualquer coisa.

Como se o mundo tivesse parado de girar…

E a gente apenas existisse. Só isso. Só existisse.


As lágrimas não querem rolar.

Acho que virei pedra.

Uma rocha esculpida por ondas antigas — resistentes, cansadas.

Um não-sei-o-quê de estômago vazio,

sem vontade de devorar uma barra de chocolate,

sem desejo de saborear uma taça de vinho.


Sem perceber, me pego encarando o vazio,

tentando encontrar palavras.

Tentando sentir o sangue correndo em minhas veias,

só pra ter certeza de que ainda estou aqui.

Ainda estou viva. Sim, viva.


Mas me sinto como quem caminha por dentro da névoa.

Sobrevivendo no automático.

Apenas existindo.

Apenas esperando.

Apenas tentando encontrar sentido em continuar.

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